A
macrofotografia é um ramo da fotografia voltada aos pequenos objetos, mostrando
aos nossos olhos detalhes muitas vezes invisíveis a olho nu, sendo
provavelmente este um dos motivos do seu encanto. Ao iniciar esta breve
discussão sobre macrofotografia torna-se necessário salientar alguns termos
técnicos utilizados neste ramo da fotografia. Diferente do que costuma ser
dito, apenas se aproximar e fotografar um objeto de perto não é
macrofotografia. Vamos começar explicando o que é ampliação, um termo muito
utilizado.

Imagine
que você irá fotografar um objeto que tenha apenas 5 cm, como um grande grilo.
Imagine agora que você fez um enquadramento bem fechado nele o colocando por
inteiro dentro do fotograma, ou seja, o seu grilo terá uma medida de 3,6 cm no
filme, a medida de cada fotograma nas câmeras 35 mm. Para calcular a ampliação
é só dividir o tamanho do assunto no filme pelo tamanho original do assunto, ou
seja: 3,6/5,0 ~ 0,7. Pode-se falar então que a ampliação foi 1:0,7 (1 para
0,7).
Pense
agora em uma aproximação maior, colocando apenas parte do grilo na foto,
enquadrando 3,6 cm do inseto. No filme ele terá esse mesmo tamanho, ou seja,
3,6 cm. Calculando a ampliação chegamos a 1:1 (um para um), que também é
chamado de life size, ou tamanho real, já que o assunto aparecerá no filme do
mesmo tamanho que ele realmente é.
Você pode
ainda querer uma ampliação maior ainda, pegando apenas 1,8 cm do inseto,
fazendo com que este espaço ocupe todo o fotograma. A ampliação será 2:1, ou
seja, o objeto terá o dobro do tamanho original quando olhado no filme.
Pensando
nos termos relacionados a essa ampliação, começando de uma menor para uma maior
ampliação nós temos a fotografia close-up, responsável pelas ampliações entre
1:10 e 1:1. Aumentando a ampliação chegamos à verdadeira macrofotografia, que
começa no life size 1:1 e vai até 10:1. Maiores ampliações, ou seja, 10:1 ou
maiores já caem no ramo da microfotografia, sendo normalmente utilizada uma
câmera fotográfica acoplada a um microscópio.
Filmes
Em
macrofotografia, como se busca a reprodução dos detalhes, os melhores filmes a
serem utilizados são aqueles com baixa sensibilidade e granulação muito fina,
permitindo assim uma reprodução dos detalhes sem perda de informação na
fotografia. São preferidos ainda filmes reversíveis, os cromos (slides), que
possuem uma granulação mais fina ainda em comparação aos negativos.
No
mercado nacional encontramos diversos filmes para este uso, sendo que
pessoalmente aprecio muito o Fuji Provia 100F, que é extremamente fino e possui
uma boa sensibilidade, proporcionando uma ótima reprodução de detalhes. Só não
esqueça que os filmes reversíveis necessitam de uma revelação diferente dos
filmes negativos, então será necessário levá-lo a um laboratório que faça esse
tipo de revelação.
Câmera
fotográfica, lentes e acessórios
O tipo de
câmera fotográfica mais utilizada em macrofotografia é a câmera 35 mm reflex.
Este tipo de câmera permite que você veja através do visor exatamente o que
aparecerá na fotografia, facilitando seu trabalho. Existem objetivas
específicas para macrofotografia, as lentes macro, que permitem grandes
ampliações e possuem uma excelente qualidade ótica. O maior inconveniente
dessas lentes é preço, sempre elevado.
Para
sanar este problema já que não são todos que podem adquirir uma lente macro
existem alguns acessórios que permitem uma maior ampliação com o uso de lentes
normais. O acessório mais popular de todos é o filtro Close-up, que como o
próprio nome diz, permite que você chegue mais perto do assunto a ser
fotografado, proporcionando assim uma maior ampliação.
Os
filtros close-up, que possuem sua potência indicada por dioptrias, sendo os
mais comuns os +1, +2, +3 e +4, são rosqueados diretamente na frente da
objetiva, sendo, portanto encontrados em diferentes tamanhos e individualmente
ou em kits. Quanto maior o valor de dioptria mais próximo você poderá estar
focalizando.
Você pode
ainda utilizar mais que um filtro ao mesmo tempo, sendo que sua potência final
será a soma dos filtros utilizados. A vantagem desse acessório é o custo, muito
menor que uma lente macro e não há perda de luminosidade. Como desvantagem esta
sua qualidade ótica, principalmente nas bordas da foto, sendo necessária ara
minimizar este problema o uso de pequenas aberturas de diafragmas.
Existem
ainda filtros close-up com mais de um elemento ótico, permitindo assim uma
melhor qualidade ótica, mas você irá pagar por essa diferença.
Outros
acessórios utilizados em macrofotografia, menos conhecido do público, são os
tubos de extensão ou foles. Os tubos de extensão são tubos de tamanho fixo que
são colocados entre a lente e o corpo da câmera, permitindo assim uma maior
ampliação do objeto a ser fotografado.
Os foles
são semelhantes, com a diferença de poder movê-lo para frente ou para trás,
mudando assim seu tamanho. Como vantagem está à qualidade ótica. Como eles não
possuem nenhuma lente, não haverá perda de qualidade por esse motivo. Como desvantagens
estão os preços, principalmente se sua máquina for eletrônica e a perda de
luminosidade, sendo muitas vezes estritamente necessário o uso de velocidades
baixas ou a iluminação com uma fonte externa, como um flash.
Ainda
mais desconhecidos do público são os anéis de inversão, que permitem que uma
lente seja fixada à câmera fotográfica do lado contrário, com seu elemento
frontal junto ao corpo da máquina e seu fundo para frente. Este recurso é muito
apreciado por permitir uma boa qualidade ótica das reproduções. Outro recurso é
ainda colocar uma lente invertida em frente a uma lente colocada na própria
máquina fotográfica.
Apesar de
raros, existem adaptadores para tal função. Como vantagem esta a boa qualidade
ótica, como desvantagem, em muitos casos ocorre vinhetagem na fotografia, sendo
então necessário o uso conjunto de tubos de extensão. Outros acessórios muito
utilizados em macrofotografia, apesar de não serem os responsáveis pela
ampliação em si são os flashes. Um flash é uma fonte de luz que irá iluminar um
objeto em casos de pouca luz.
A
vantagem do flash é permitir o uso de menores aberturas de diafragma,
proporcionando uma maior profundidade de campo, bem critica em macrofotografia.
Outra vantagem é que permitir o uso de velocidades mais altas, o que é
necessário no caso de objetos em movimento ou se a câmera estiver sendo
utilizada na mão.
Existem
vários tipos de flashes, os mais recomendados são os que possuem leitura TTL,
ou seja, medem diretamente a iluminação fornecida pela própria lente, não sendo
necessária nenhuma preocupação com compensação na hora a fotografia. Existem
ainda flashes específicos para macrofotografia, como o ring-flash. Este modelo
de flash é circular e colocado na frente da objetiva, com ele, você terá uma
iluminação, vindo de todos os lados eliminando sombras muitas vezes
indesejáveis.
Como
desvantagem esta o chapamento da imagem. Como as sombras serão eliminadas, o
volume da imagem também será prejudicado. Na maioria dos casos, um flash
simples com um cabo disparador é suficiente. Posiciona-se o flash em uma
posição superior e paralela a lente, permitindo assim uma iluminação sem muitas
sombras por baixo e sem perder a textura e volume da imagem. Pode-se facilmente
montar um bracket para esse uso, fazendo com que o flash fique posicionado no
local certo sem ter que se preocupar em segura-lo, facilitando o movimento da
câmera.
Muitas
vezes também se torna necessário o uso de um tripé, fazendo com que a câmera
fique mais firme e a fotografia não saia tremida. Em conjunto ao tripé é sempre
bom utilizar um cabo disparador, evitando assim que a câmera trema ao ser
acionado o seu botão disparador. Outro acessório útil nesta circunstância é um
trilho, também dificilmente encontrado no Brasil. O trilho permite que a câmera
seja movimentada para frente e para trás em pequenos movimentos, permitindo
assim um controle melhor do foco.
Fotografando
em campo
Não
adianta ficarmos apenas discutindo a parte técnica e teórica da macrofotografia
é interessante sabermos na prática o que irá funcionar e nos proporcionar belas
imagens quando sairmos em campo, ou seja, na hora de realmente fotografarmos. A
primeira consideração a ser levada em macrofotografia antes de começar a
fotografar é o custo. Não adianta pensarmos em começar com uma lente macro,
dois flashes, 15 rolos de cromos etc. e tal se não tivermos a condição para
tal. Então a primeira coisa a fazer é pensar o que você tem e o que é possível
com o seu equipamento.
Outra
característica normalmente muito limitante é o peso do conjunto. Nos casos de
se fotografar em um parque na cidade, onde o equipamento será levado de carro,
esse fator não é muito importante. Entretanto, no caso de uma viagem longa, de
vários dias e com quilômetros de caminhada com mochila e equipamentos nas
costas, esse fator começa a ser preocupante. Pense sempre o que você deseja
fotografar e mais que tudo, estude antecipadamente o local.
Não
adianta você se preparar para fotografar flores, organizar e separar o melhor
equipamento para o tal e chegar ao local e... Não haver flores! Conhecer o
lugar muitas vezes é tão importante quanto o fato de organizar e separar o
equipamento.
Com a preocupação
de que equipamento levar resolvida chega a hora de realmente fotografar. Em
macrofotografia existem alguns pontos que são mais críticos, sendo eles:
- Profundidade
de campo
Quanto
maior for à ampliação, menor será a profundidade de campo. Devido a isso você
terá de usar pequenas aberturas de diafragma, o que tornará necessário o uso de
velocidades baixas de disparo (lembre-se que, os melhores filmes são os pouco
sensíveis!).
- Foco
O foco em macrofotografia é muito crítico e, aliado à profundidade de campo
limitada, torna-se necessário um grande cuidado na hora de focalizar. Como
primeira dica, se sua máquina possui autofócus, desligue-o! Devido ao foco
muito limitado, qualquer movimentação fará o sistema de focagem automática de
sua máquina ficar maluco, indo para frente e para trás sem achar um ponto
ideal, portanto comece desligando-o!
Outra
sugestão é, ao invés de se preocupar em ajustar o foco através do anel de foco,
mantenha-o fixo e movimente a câmera para frente e para trás. Apesar de estranho,
este modo de focalizar é muito mais simples e fácil. Olhando pelo visor e
movimentando levemente a câmera, quando o assunto estiver em foco é só
disparar. Um acessório que ajuda e muito nessa circunstância é o trilho, que
permite pequenos movimentos para frente e para trás mantendo a câmera fixa em
um tripé.
-Iluminação
Devido ao problema da profundidade de campo limitada, sendo necessário o uso de
pequenas aberturas de diafragma, será necessário também o uso de uma velocidade
baixa de disparo, o que pode ser resolvido com o auxílio de um bom tripé e um
cabo disparador. No caso de se fotografar algo em movimento, isso não será
possível, sendo então necessário o uso de uma fonte externa de luz, como um
flash.
Pode-se
usar um ring-flash ou um flash simples. Com um flash simples recomendo o uso de
um cabo disparador e o posicionamento do mesmo de modo que o assunto seja
completamente iluminado, evitando a formação de muitas sombras, o que ocorre se
o mesmo for deixado em sua posição padrão, sobre a câmera.
Para facilitar o
trabalho com o flash pode-se comprar ou fazer em casa um bracket. Desse modo
faz-se um prévio posicionamento do flash, deixando para o momento da foto
apenas a preocupação com o enquadramento e foco.
- Círculo
de medo
No caso de se fotografar plantas, rochas ou qualquer objeto estático isso não é
uma preocupação. Entretanto, no caso de fotografia de insetos, isso deve ser
sempre levado em conta. O círculo de medo é referente ao quão próximo um inseto
deixa que você se aproxime dele. Alguns insetos como formigas, besouros,
lagartas, grilos etc. não parecem se incomodar muito com a aproximação de um
fotógrafo. Já outros insetos, como as moscas, sorte, relacionada com o humor do
inseto.
Considerações
finais
Estando prontas
e preparadas para uma saída macrofotográfica com câmeras, lentes, filtro,
tubos, filmes, flashes, tripés, cabos e tudo mais que você possa precisar,
"perca" alguns dos minutos antes de sair programando detalhadamente o
seu roteiro, inclusive verificando a previsão do tempo para o local onde você
deseja fotografar.
Uma
surpresa boa em macrofotografia é achar uma bela flor sem nenhum defeito em
suas pétalas, um inseto diferente, colorido e calmo, texturas diferentes e não
dar de cara com uma forte chuva no caminho ou um tempo frio de congelar os
ossos. Além disso, os insetos não costumam gostar muito de frio, quando desejar
fotografá-los prefira os dias quentes e úmidos e, por esse mesmo motivo,
cuidado redobrado com o equipamento, que teme muito a umidade.
Outra
sugestão que muitas vezes é esquecida e responsável por uma saída fotográfica
se tornar uma saída frustrada é a vestimenta. Sempre que for fotografar em meio
à natureza procure não estar destoante com suas cores, evitando estar com uma
calça vermelha, uma camiseta amarela e boné verdes limões. Cores claras como o
branco também não são recomendadas porque além de chamarem muito a atenção em
meio à natureza, sujam muito (chegará um dia em que você terá de ajoelhar na
lama para conseguir aquela foto, lembre-se de mim nesse momento!). Prefira
sempre roupas em tons verde e beges e sempre compridas. Um colete fotográfico é
outra dica útil, deixando tudo com um acesso mais facilitado para você.
Lembre-se
também que enquanto você estiver à procura de insetos para fotografar eles
estarão à sua procura para se alimentar. Um bom repelente irá muitas vezes
literalmente salvar sua pele. Para fotos de flores ou outros assuntos estáticos
não é necessária tanta preocupação, mas sempre programe o que você deseja fazer
e estude a época da floração para não se decepcionar encontrando apenas flores
murchas. Como última e final consideração, respeite sempre a natureza nunca
removendo flores, matando animais ou devastando a vegetação. Leve para casa
apenas as lembranças e se você tiver sorte, muitos rolos de filme...